sábado, 18 de outubro de 2014

 A LINHA


Fio de linha branca.

na mesinha de cabeceira
teu compassivo olhar.

vou passajando abstracto.
pica-me o dedo a agulha.

nas minhas pretas peúgas rotas
são reais as sarcásticas
gargalhadas de linhas brancas.


poema de José Craveirinha in "Maria"

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O SOL NASCENTE

Não são os ventos que percorrem as ruas
das nossas cidades, nem as chuvas que persistem
primavera dentro, que alimentam as nossas agruras.
Não são as negras nuvens que toldam os horizontes,
nem as marés tumultuosas que inundam
e minguam as nossas certezas, que afundam
as nossas caravelas.
Não são as paixões inflamadas da politiquice barata
nem sequer as promessas contraditórias
duma política falsa e rasca, que nos talha o caminho.
Somos nós, que temos o sol nas mãos
e pela manhã de todos os "abris" do mundo
não o fazemos raiar!

sábado, 15 de março de 2014

POEMA AO MINISTRO

Hoje é segunda-feira, vou ao teatro na sexta
mas o ministro é uma besta
não sei se tenho jantar, nem sequer fruta na cesta
mas o ministro é uma besta
amanhã  há manifestação, a que o povo se apresta
mas o ministro é uma besta
posso ir a guiar, bebendo branco ou água fresca
mas o ministro é uma besta.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

POEMA AO FUTEBOL

Gostaria de pensar que o futebol
fosse um poema
derramado no relvado nos dias de emoções
gostaria de sonhar que a bola
entrasse ou não
fosse o sortilégio do jogo
e no fim quando o apito soasse
e se calassem as multidões
o resultado não importasse.

domingo, 5 de janeiro de 2014