terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ABSURDO II

Não submeto a minha poesia ao soneto
gosto muito mais do verso sem rima
dá-lhe um ar mais hidrocarboneto
cheira um pouco mais a hiroshima.

Destempera-se a panela chaminé acima
evapora-se o poema em fluoreto
cada palavra, cada verso é uma enzima
que torna o soneto analfabeto.

Isto de rimar é ingerir cianeto
que nos transforma em tal vítima
e nos tolhe e mata a proenzima.

Mas se o poema ruir em esqueleto
se for para nós uma parênquima
então escreverei sonetos noutro clima.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

ABSURDO

Como vem a despropósito esta minha irracionalidade
é uma absurdeza, certamente uma alogia
que insensatez a minha, que absurdidade
trazer este paradoxo à luz do dia.
Absurdamente sem sentido, abstruso disparate
inepto contra-senso, incoerente
retruso retrucar desta retumbância
que vai estrondar na minha mente!

sábado, 19 de outubro de 2013

JUVENTUDE

Bordejam o chão das ruas cinzentas
de um casal ventoso
modernizado
seringas espalhadas nos corpos
doentios
acendendo o fogo que faz arder
a desgraça.

Bordejam as portas dos partidos
nas ruas iluminadas
do compadrio
sobem as escadas do parlamento
são eleitos
são deputados
são presidentes
são ministros
são os pássaros sinistros
que voam em estado de graça!

sábado, 5 de outubro de 2013

POEMA

Não é apenas o lume que arde
as nossas florestas
que incendeia o nosso querer.
Este fim de verão de árvores calcinadas
é apenas o começo de um fogo
que arde sem se ver.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

POEMA



LUANDA OU OS DIAS DO REGRESSO



Foi em Luanda num cacimbo qualquer
Cheguei e parti por entre
Picadas e marés de capim
Ao longe, vozes ou ruídos de aves
Ou não, que cantavam ou não
Por entre as matas cerradas.
Parti e cheguei a outra Luanda
As picadas são de alcatrão
As aves piam de outras
Maneiras
E as marés que me trouxeram
Trouxeram também o inimigo.

sábado, 20 de julho de 2013

UM POEMA DE EUGÉNIO DE ANDRADE

DESPEDIDA

Colhe
todo o oiro do dia
na haste mais alta
da melancolia.

terça-feira, 16 de julho de 2013

                                           SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

                                         A poesia de Sophia deve estar sempre em cima da mesa.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

OS NOSSOS POETAS

O nosso grande poeta Fernando Pessoa é indispensável na nossa biblioteca.Ter Pessoa nas nossas estantes   é ter a grande poesia nacional sempre à mão. Este livro de poemas de Pessoa, comentados por Eduardo Lourenço, custa apenas 5 euros e está à venda nas feiras de livros do Sistema J, espalhadas pelas estações de Metro e da CP de Lisboa.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

LIMITES

Poema de Júlio Mira, do livro "Este mar que arde" e transcrito na Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial.

Estamos no limite do tempo
não há mais caminho para percorrer
paira no ar este incenso a guerra
este nó mórbido
que fede e trilha os vínculos que partilhámos

E no interior da nossa truculência
rebentarão em duplicado
os obuses do nosso descontentamento-

terça-feira, 9 de julho de 2013

LIVRO DE POESIA

Quero fazer aqui e com muito gosto, uma referência ao livro "OVAS & outros sentimentos  de Francisco Milheiro, editado pela Editorial Hespéria, com um grande abraço ao José Carlos Pereira.

sábado, 29 de junho de 2013

POEMA DE UM SÓ VERSO


Do poeta Liberto Cruz

Lento o tempo vai tecendo a teia do desespero.


in Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial

sexta-feira, 28 de junho de 2013

POEMA TEATRO DE GUERRA

Poema de Alberto Pimenta, na Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial


no teatro
da guerra
cada dia
trabalha
nova companhia
mas permanece
o encenador
e a peça
é sempre
do mesmo autor.
o actor
esse fenece
com a cena
e desaparece.
é um teatro
realista
que a toda a hora
muda de artista.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

TERTÚLIA

Para encerramento do ano poético da tertúlia Sempre Acontece Poesia, realizou-se hoje o almoço de confraternização no restaurante do senhor Fernando, na Amadora. Para Setembro há mais, até lá muita inspiração e bons poemas.

terça-feira, 25 de junho de 2013

FERNANDO PESSOA





TABACARIA
Os quatro primeiros versos do poema tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.