ABSURDO II
Não submeto a minha poesia ao soneto
gosto muito mais do verso sem rima
dá-lhe um ar mais hidrocarboneto
cheira um pouco mais a hiroshima.
Destempera-se a panela chaminé acima
evapora-se o poema em fluoreto
cada palavra, cada verso é uma enzima
que torna o soneto analfabeto.
Isto de rimar é ingerir cianeto
que nos transforma em tal vítima
e nos tolhe e mata a proenzima.
Mas se o poema ruir em esqueleto
se for para nós uma parênquima
então escreverei sonetos noutro clima.
Sem comentários:
Enviar um comentário